Sobre HPN

A HPN é uma doença crônica, grave e progressiva 1-4 , que se origina das células-tronco hematopoiéticas (CTHs), causada por uma mutação somática adquirida do gene PIG-A, que leva a falta das principais proteínas inibidoras do complemento terminal na membrana celular, resultando em ativação e hemólise intravascular crônica não controlada do complemento.1-5

A hemólise intravascular causa complicações imprevisíveis e potencialmente fatais4, como dano a órgãos, perda da qualidade de vida e eventos tromboembólicos (ETs),
sendo a principal causa de morte na HPN.4,6-9

Classificação da doença 5,10

Categoria

Descrição

HPN clássica

Presença de clones HPN sem outras condições que justifiquem falha na medula óssea.
Contagens normais de plaquetas e neutrófilos. Hemólise intensa usual.

HPN associada a distúrbios da medula óssea

Associada com anemia aplásica e mielodisplasia.
Monitoramento do percentual de células HPN é crucial devido a variações possíveis.

HPN subclínica

Poucos clones HPN sem sinais clínicos, sintomas de hemólise ou trombose.

Adaptado de: Parker C, Omine M, Richards S, et al. 2005;106:3699-3709; Dezern AE, Borowitz MJ. Cytometry B Clin Cytom. 2018;94(1):16-22.

HPN e seus sintomas

40% — 67%

das mortes na HPN são devidas
a trombose venosa ou arterial.4,8

9% — 18%

das mortes na HPN são
causadas por falência renal.8

47%

dos pacientes sofrem de
hipertensão pulmonar.9

O rápido reconhecimento dos sinais, sintomas da HPN e o diagnóstico precoce são vitais para o manejo da doença.4,11

Algoritmo para triagem e diagnóstico da HPN12

Adaptado de: Roth A, Maciejewski J, Nishimura J-1, et al. Eur J Haematol. 2018;101(1):3-11

a Citopenia persistente não explicada em pacientes que não preenchem os critérios diagnósticos (mínimos) para SMD.12
b Trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar em paciente sem antecedentes de fator de risco clínico maior para tromboembolismo venoso, ou seja, não provocado por cirurgia, trauma, imobilização, terapia hormonal (contraceptivos orais ou terapia de reposição hormonal) ou câncer ativo.12
c Os locais atípicos incluem veias hepáticas (síndrome de Budd-Chiari), outras veias esplâncnicas (portais, esplênicas), veia cerebral ou veias cutâneas.12

HPN no contexto de falência da medula óssea

A HPN frequentemente coexiste com outras doenças de medula óssea. 14,15

O tratamento

  • Inibidores do complemento16,17
  • Transplante de medula óssea (disponível no SUS)17,18
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O objetivo do tratamento com inibidor de complemento é reduzir a hemólise intravascular, prevenir os episódios tromboembólicos, minimizar outras complicações e sintomas relacionados à doença.4,16,19

O transplante de medula óssea alogênico é atualmente a única cura conhecida. Indicado somente para casos específicos, conforme a necessidade do paciente.18

Veja também

Neurologia

A investigação de patologias neurológicas raras contribui significativamente para o avanço da neurociência e a melhoria do prognóstico.

Nefrologia

Elucidar nefropatias raras é chave para inovações terapêuticas na medicina renal.

Metabólica

Inovações em doenças metabólicas raras podem revolucionar o manejo clínico e o prognóstico dos pacientes.

Hematologia

Progressos no diagnóstico de patologias hematológicas raras são fundamentais.

Referências

  1. 1. Parker CJ. Update on the diagnosis and management of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria. Hematology Am Soe Hematol Educ Program. 2016 ;2016(1) :208-216.
  2. 2. Borowitz MJ, Craig FE, DiGiuseppe JA, et ai. For Clinica! Cytometry Society. Guidelines for the diagnosis and monitoring of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria and related disorders by flow cytometry. Cytometry B Clin Cytom. 2010;78B:211-230.
  3. 3. Parker CJ. Management of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria in the era of complement inhibitory therapy. Hematology Am Soe Hematol Educ Program. 2011;2011:21-29.
  4. 4. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23617322/
  5. 5. Parker C, Omine M, Richards S, et ai. For the lnternational PNH lnterest Group. Diagnosis and management of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria. Blood. 2005;106:3699-3709.
  6. 6. Schrezenmeier H, Muus P, Socie G, Szer J, Urbano-Ispizua A, Maciejewski JP, et al. Baseline characteristics and disease burden in patients in the International Paroxysmal Nocturnal Hemoglobinuria Registry. Haematologica. 2014 Jan 31;99(5):922–9.
  7. 7. Nishimura J-1, Kanakura Y, Ware RE, et ai. Clinica! course and flow cytometric analysis of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria in the United States and Japan. Medicine. 2004;83:193-207.
  8. 8. Sharma VR. Paroxysmal nocturnal hemoglobinuria: pathogenesis, testing, and diagnosis. Clin Adv Hematol Oncol. 2013;ll(suppl 13):1-11.
  9. 9. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20230403/
  10. 10. Dezern AE, Borowitz MJ. ICCS/ESCCAconsensus guidelines to detect GPI-deficient cells in paroxysmal nocturnal hemoglobinuria (PNH) and related disorders part 1 - clinical utility. Cytometry B Clin Cytom. 2018;94(1):16-22.
  11. 11. Jang JH, Kim JS, Yoon SS, et ai. Predictive factors of mortality in population of patients with paroxysmal nocturnal hemoglobinuria (PNH): results from aKorean PNH registry. J Korean Med Sei. 2016;31:214-221.
  12. 12. Roth A, Maciejewski J, Nishimura J-1, et ai. Screening and Diagnostic Clinica! Algorithm for Paroxysmal Nocturnal Hemoglobinuria: Expert Consensus. EurJ Haematol. 2018;101(1):3-11.
  13. 13. Rachidi S, Musallam KM, Taher AT. A closer look at paroxysmal nocturnal hemoglobinuria. Eur J lntern Med. 2010;21 :260-267.
  14. 14. Morado M, Freire Sandes A, Colado E, et ai. PNH Working Group of the lberian Society of Cytometry (SIC). Diagnostic screening of paroxysmal nocturnalhemoglobinuria: prospective multicentric evaluation of the current medical indications. Cytometry B Clin Cytom. 2017;92:361-370.
  15. 15. Young NS, Calado RT, Scheinberg P. Current concepts in the pathophysiology and treatment of aplastic anemia. Blood. 2006;108:2509-2519.
  16. 16. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17702897/
  17. 17. Ministério da Saúde. “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hemoglobinúria Paroxística Noturna”. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, Brasil, 2020.
  18. 18. Arruda, M. M. A. S., Rodrigues, C. A., Yamamoto, M., & Figueiredo, M. S. (2010). Hemoglobinúria Paroxística Noturna: da Fisiopatologia ao Tratamento. Revista da Associação Médica Brasileira, 56(2): 214-221. Recuperado de: https://www.scielo.br/j/ramb/a/TqWqTpdjVf wxqfBvKNSDwyJ/?format=pdf&lang=pt.
  19. 19. https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=198110001

Material destinado a público geral. BR-36008. Outubro de 2024.