Impacto na saúde mundial: Epidemiologia da hiperpotassemia mundo e Brasil

A prevalência (%) e incidência (taxa por 100 pessoas-ano) de hiperpotassemia calculadas usando uma meta-análise de efeitos aleatórios, em que foram incluídos 542 artigos ao redor do mundo, no período de 1976 a 20216:

Prevalência/incidência agrupada de hiperpotassemia definida utilizando qualquer definição/limiar.6

Adultos 6,3%

2,8% casos por 100 pessoas-ano

Prevalência agrupada de hiperpotassemia definida como > 5 mEq/L
para cada perfil de paciente 6

33,3%

Doença renal em diálise6

25,7%

Injúria Renal Aguda6

14,6%

Doença Renal Crônica não-dialítico6

8,6%

Insuficiência Cardíaca6

8,4%

Diabetes6

A hiperpotassemia está associada a um risco elevado de hospitalização

O risco de hospitalização em 6 meses após a data inicial foi:


3,8x maior

em participantes da pesquisa com DRC e hiperpotassemia7,a,b

2,8x maior

em participantes da pesquisa com IC e hiperpotassemia8,a,c

em comparação com participantes correspondentes com DRC/IC sem hipotassemia

Observação: Estudos de coorte com base na população utilizaram bancos de dados hospitalares, de prescrição e laboratoriais do Registro Nacional Dinamarquês de Pacientes no norte da Dinamarca (população de 1,8 milhão)
durante 2000-2012. Os participantes da pesquisa com um primeiro diagnóstico de DRC (N=157.766) e IC (N=31.649) foram identificados, e a data do diagnóstico foi relatada como a data inicial.1,2
a Hiperpotassemia definida como K+ > 5,0 mmol/L.1,2 b HR de 3,78; IC de 95%: 3,6-3,87;1 c HR de 2,75; IC de 95%: 2,65-2,85.2

Qualidade de vida: o quanto a
patologia traz impacto na vida do paciente

A doença renal crônica (DRC) é um problema de saúde pública global, afetando mais de 750 milhões de pessoas em todo o mundo.9,10

A hiperpotassemia é um achado frequente em pacientes com DRC, o que está associado à diminuição da excreção renal do íon, assim como ao uso de medicações, como é o caso do inibidor do sistema renina-angiotensina-aldosterona (iSRAA), para retardar a progressão da DRC ou para controlar doenças associadas, como hipertensão e insuficiência cardíaca.11 

Por sua vez, a redução ou descontinuação do iSRAA devido à hiperpotassemia pode ter consequências graves:12

Níveis séricos de K+ mais altos e comorbidades aumentam o risco de morte associado à hiperpotassemia13,14

Risco de mortalidade por todas as causas por nível sérico de K+ e comorbidades14


Observação: Uma análise de dados de registros médicos eletrônicos provenientes de múltiplas redes integradas de cuidados de saúde nos EUA de 911.698 pacientes com ≥ 2 medições de K+ sérico entre 2007 e 2012. 
a A área sombreada ao longo da análise de regressão com spline indica o IC de 95%; b Significativo em relação ao grupo controle;1 b O grupo controle consistiu em indivíduos sem IC, DRC, DM, DCV ou HTN conhecida.
Collins AJ, et al. Am J Nephrol. 2017;46:213-221. 

As taxas de mortalidade duplicaram em pacientes com DRC ou IC que reduziram ou descontinuaram a terapia com iSRAA em comparação com pacientes na dose máxima.12

Ao mesmo tempo, quando não há um controle adequado do K+, o paciente pode estar em risco de desenvolver arritmias cardíacas e até morte súbita.11

Sinais e sintomas

A maior parte dos pacientes com hiperpotassemia não apresenta sintomas.
A condição é detectada por exames de sangue de rotina.15

Quando há sintomas, geralmente são inespecíficos, como palpitações cardíacas, náuseas, fadiga muscular, fraqueza e formigamento. Com isso, diversas pessoas podem apresentar alto nível de potássio no sangue sem saber.15

A complicação mais temida da hiperpotassemia é a arritmia cardíaca SEVERA, que pode ocasionar uma parada cardíaca e a morte.15

Fatores de Risco

As causas mais comuns de hiperpotassemia são:15

  • Doença renal
  • Insuficiência cardíaca
  • Diabetes
  • Efeitos colaterais de medicamentos, como os iSRAA, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) , dentre outros

Tratamento

As opções de tratamento para hiperpotassemia crônica incluem16-19:

  • Agentes trocadores de K+
  • Dieta com baixo teor de potássio (k+)
  • Diuréticos
  • Redução da dose ou descontinuação da terapia com iSRAA

Diretrizes nacionais e internacionais16 para o tratamento da DRC e IC corroboram com o uso de trocadores de K+ para controlar a hiperpotassemia e manter os pacientes em terapia otimizada com iSRAA.17-20

Consenso internacional: Novos trocadores de K+ devem ser o agente preferido para tratar a hiperpotassemia e devem ser usados para permitir e manter a terapia otimizada com iSRAA.21

A hiperpotassemia não deve interromper a terapia com
iSRAA, a menos que todas as outras medidas falhem.

Quer saber mais sobre a hiperpotassemia e uma nova maneira de controlá-la?

Lembre-se de que, para acessar o conteúdo, é necessário fazer login
ou se cadastrar no AZMed.

Referências

1. National Kidney Foundation. How Your Kidneys Work. https://www.kidney.org/atoz/content/howkidneyswork. 2. National Kidney Foundation. Kidneys: Master Chemists of the Body. https://www.kidney.org/atoz/content/kidneymasterchem. 3. National Kidney Foundation. What is hyperkalaemia? https://www.kidney.org/atoz/content/what-hyperkalemia. 4. Palmer BF et al. Clinical management of hyperkalemia. Mayo Clinic Proceedings, Volume 96, Issue 3, 744 – 762.5. Giebisch G, Krapf R, Wagner C. Renal and extrarenal regulation of potassium. Kidney Int. 2007;72(4):397-410. doi:10.1038/sj.ki.5002288. 6. Humphrey T, Davids MR, Chothia MY, Pecoits-Filho R, Pollock C, James G. Clinical Kidney Journal. 2022 Apr;15(4):727-737. 7. Thomsen RW, et al. Nephrol Dial Transplant. 2018;33:1610-1620. 8. Thomsen RW, et al. J Am Heart Assoc. 2018;7:e008912.
9. GBD 2015 DALYs and HALE Collaborators. Global, regional, and national disability-adjusted life-years (DALYs) for 315 diseases and injuries and healthy life expectancy (HALE), 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet 2016;388:1603-58. 10. Bikbov B, Perico N, Remuzzi G; on behalf of the GBD Genitourinary Diseases Expert Group. Disparities in Chronic Kidney Disease Prevalence among Males and Females in 195 Countries: Analysis of the Global Burden of Disease 2016 Study. Nephron 2018;139:313-8. 11. Watanabe R. Hyperkalemia in chronic kidney disease. Rev Assoc Med Bras (1992). 2020 Jan 13;66Suppl 1(Suppl 1):s31-s36. doi: 10.1590/1806-9282.66.S1.31. PMID: 31939533. 12. Epstein M, Reaven NL, Funk SE, McGaughey KJ, Oestreicher N, Knispel J. Evaluation of the treatment gap between clinical guidelines and the utilization of renin-angiotensin-aldosterone system inhibitors. Am J Manag Care. 2015;21(11 suppl):S212-S220. 13. Rastergar A, Soleimani M. Hypokalaemia and hyperkalaemia. Postgrad Med J. 2001;77:759–764. 14. Collins AJ, Pitt B, Reaven N, et al. Association of serum potassium with all-cause mortality in patients with and without heart failure, chronic kidney disease, and/or diabetes. Am J Nephrol. 2017;46:213–221. 15. Montford JR, Linas S. How Dangerous Is Hyperkalemia? J Am Soc Nephrol. 2017 Nov;28(11):3155-3165. 16. Ministério da Saúde (Brasil). Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas estratégicas para atenuar a progressão da doença renal crônica [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/pcdt/arquivos/2024/portaria-conjunta-no-11-pcdt-doenca-renalcronica.pdf Acessado em:16 dez. 2024. 17. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Diabetes Work Group. Kidney Int. 2022;102(55):S1-S127. 18. KDIGO Blood Pressure Work Group. Kidney Int. 2021;99(3S):S1-S87. 19. McDonagh TA, Metra M, Adamo M, et al. 2021 ESC guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J. 2021;42(36):3599-3726. 20. Heidenreich PA, Bozkurt B, Aguilar D, et al. 2022 AHA/ACC/HFSA guideline for the management of heart failure: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association joint committee on clinical practice guidelines. J Am Coll Cardiol 2022;79(17):e263-e421. 21. Burton JO, Coats AJS, Kovesdy CP, et al. An international Delphi consensus regarding best practice recommendations for hyperkalaemia across the cardiorenal spectrum [published correction appears in Eur J Heart Fail. 2023;25(3):444]. Eur J Heart Fail. 2022;24(9):1467-1477. doi:10.1002/ejhf.2612.

BR-37116 | Material exclusivo para profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos - Jan/2025