O câncer de próstata é a segunda malignidade mais frequente em homens no mundo,1 e a primeira no Brasil.2 A mortalidade varia consideravelmente no mundo.4 Embora a mortalidade venha declinando na maioria dos países ocidentais, as razões não estão claras e podem estar relacionadas, por exemplo com a detecção precoce e a melhores tratamentos disponíveis.3  

Epidemiologia

No mundo1,4

Adaptada de: Global Cancer Observatory, 2024a.4

Adaptada de: Global Cancer Observatory, 2024b.1

No Brasil2,5

O câncer de próstata é o câncer com maior incidência entre homens;

Há uma estimativa de 71.730 novos casos em para o triênio de 2023 a 2025;

Número de óbitos em 2020: 16.301.

Adaptada de: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Incidência de Cancêr no Brasil: Estimativa 2023.2

O aumento da incidência do câncer de próstata no mundo nas últimas décadas parece estar relacionado a fatores como o envelhecimento populacional e o aumento do diagnóstico devido à disseminação do rastreamento..6 Enquanto, em grande parte dos países, ainda se observa a influência do rastreamento com antígeno prostático específico (PSA) no aumento da incidência, nos EUA, observa-se um declínio nessa tendência, a partir dos anos 2000, em função da redução do rastreamento.2

Fases
clínicas

As abordagens terapêuticas variam de acordo com a fase da doença: Doença localizada, localmente avançada ou metastática.

Fases clínicas do câncer de próstata

Sinais e
sintomas

Por ser, muitas vezes, uma doença silenciosa, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Mas, quando há sinais do desenvolvimento da doença, os mais comuns são:8

Dificuldade
de urinar

Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite

Sangue na urina

Diminuição do
jato de urina

Demora em começar e terminar de urinar

Diagnóstico:9-12

  • Histórico médico,
    Exame físico e Biomarcadores9

    • Sintomas de doença local ou metastática

    • Fatores de risco, incluindo idade, raça, predisposição genética e histórico familiar de câncer de próstata ou outros

    • Exame retal digital

    • Teste de PSA

  • Exame por imagem

    • Relevante para identificação e caracterização da doença; seleção de opções e monitoramento do tratamento1

    • As técnicas por imagem definidas por classificação de risco incluem10,11

    – TC, radiografia simples, ultrassonografia e RM – que fornece informação anatômica

    – Cintilografia óssea com radionuclídeo, PET/TC e RM avançada para fornecer informações adicionais sobre a atividade do tumor

Confirmação do
diagnóstico9,10,13

Biópsia

Confirmar o diagnóstico de câncer e determinar:

  • O grau do câncer (escore de Gleason),
  • O tamanho do câncer (número de biópsias por agulha grossa envolvido),
  • O local do câncer (local das biópsias por agulha grossa positivas)
  • O percentual de câncer em cada biópsia por agulha grossa

Grupo de Escala ISUP para
Câncer de próstata

Adaptada de: National Cancer Institute. Morphology and Grade. 2023.13

Estadiamento

Adaptada de: National Cancer Institute. Prostate cancer stages. 2024.14

A importância da
medicina de precisão 

1

Aproximadamente 25% dos pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração podem apresentar alterações associadas com a via de reparo por recombinação homóloga (HRR)15 , sendo cerca de 15% mutações BRCA1, BRCA2 e/ou ATM.16

2

Pacientes com mutação de BRCA2, gene que também pode estar presente no câncer de mama e ovário, têm risco elevado de desenvolver tumores de próstata mais agressivos e em idades mais jovens. 16

3

O teste somático em tecido tumoral é recomendado em todos os pacientes com câncer de próstata metastático para se buscar mutações que possam ser acionáveis.17

4

O teste genético germinativo é fundamental na avaliação do risco e detecção precoce do câncer de próstata, em casos com histórico familiar sugestivo de câncer hereditário.16,17

Benefícios

A descoberta da mutação beneficia o
paciente:18

Possibilidade de realizar um tratamento personalizado;
- Detecção precoce de fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do câncer para gerações futuras, com oportunidade de aconselhamento genético.

  • Possibilidade de realizar um tratamento personalizado com potencial ganho de sobrevida global.18

Recomendações

Início dos exames preventivos aos 40 anos
de idade para:15

  • Homens com mutação de BRCA2.

Homens com pai e/ou irmãos diagnosticados com câncer de próstata, ou mãe e irmãs com câncer de mama e ovário.20 Pacientes afrodescendentes20

Diretrizes19

NCCN19

Critérios de testagem para genes de susceptibilidade para o câncer de
próstata, especificamente ATM, BRCA1, BRCA2, CHEK2 e HOXB13z

A testagem é clinicamente indicada nos seguintes cenários:

Histórico pessoal de câncer de próstata com características específicas

  • Do tumor (em qualquer idade)19
  • Metastático19
  • Histologia de alto ou muito alto risco19
  • Do Histórico familiar19
  • ≥1 parente próximo com:

    Câncer de mama com ≤50 anos de idade19

    Câncer de mama triplo negativo, mama masculino, ovário, pâncreas e tumor metastático de alto ou muito alto risco em qualquer idade19

    ≥3 parentes próximos do mesmo lado da família do paciente com câncer de próstata e/ou câncer de mama19 

    Ascendência judaica Ashkenazi19

     
  • Histórico familiar de câncer
  • Indivíduo afetado (que não atenda aos critérios listados acima) ou não afetado com um  parente e primeiro grau que atenda a qualquer dos critérios listados acima 

A testagem pode ser considerada no seguinte cenário

Histórico pessoal de câncer de próstata de risco intermediário com histologia
intraductal / cribiforme19

ESMO20

Critérios de testagem para genes de susceptibilidade para o câncer de
próstata, especificamente ATM, BRCA1, BRCA2, CHEK2 e HOXB13z

Mutações germinativas:

- BRCA2 e outros genes envolvidos na lesão e reparo do DNA em síndromes de predisposição ao câncer no caso de histórico familiar, assim como em pacientes com câncer de próstata metastático.20

Mutações somáticas:

Avaliação de tecido tumoral para mutações de genes de recombinação homóloga ou defeitos de reparo do pareamento errado (ou instabilidade de microssatélites) em pacientes com câncer de próstata metastático.20

Para mais informações